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Maria Morais

Exposição Artes Plásticas

Folhas Caídas nos Degraus de Granito

Parafraseando Alexandre Cabral (1988, Dicionário de Camilo Castelo Branco, Lisboa, Caminho), o verso de Camilo Castelo Branco “Folhas caídas, apanhadas na lama” é “Obra de quatro vinténs, e de muita instrução”, as folhas caídas, apanhadas na lama, foram publicadas por Camilo em 1854, no Porto e na tipografia de F G da Fonseca, com o pseudónimo “o antigo juiz das almas de campanhã”.
Trata-se de uma paródia às folhas caídas do divino Garrett, editadas em 1853; ou, para sermos mais rigorosos, de uma sátira ferina contra a dissolução dos costumes, visando os barões, os ministros (Fontes Pereira de Melo é citado por extenso), as literatas (…) o Post Scriptum final, herético (ou como tal considerado), foi responsável pela polémica que se seguiu com a família católica. (…)”

Segundo Jacinto Prado Coelho, Camilo foi “imensamente influenciado por Almeida Garrett, no entanto a fidelidade à linguagem e aos costumes populares ao cheiro do torrão vão permanecer como uma das suas maiores qualidades”.

(As folhas caídas de Almeida Garrett, representam um estado de alma do poeta nas variadas, incertas e vacilantes oscilações do espírito”. Efectivamente dá-se conta disto mesmo, não só de poema para poema, mas por vezes, ao longo de um mesmo poema).

O carácter instável e irrequieto do escritor e também poeta Camilo Castelo Branco caracteriza um estado de alma comum a seres sensíveis de uma forma geral e aos artistas plásticos de uma forma particular.

As minhas “Folhas caídas nos degraus de granito”, são o resultado de apropriações longínquas, fruto de deambulações por lugares concretos e imaginários, do contacto com a vida ao ar livre de que o escritor, também, tão bem e romanticamente vivenciou.

As minhas folhas caídas – as folhas da árvore da oliveira, árvore abençoada, associada à luz, encerram uma riqueza simbólica muito grande: paz, fecundidade purificação, força, vitória e recompensa. Ao interiorizarmos estes valores caminharemos sem oscilações, rumo à Unidade a este princípio básico do Universo, porque todas as formas e nomes são as ondas ou manifestações do único e mesmo oceano da Existência, Consciência e Bem-Aventurança.

Maria Morais
 

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Maria Morais com a escultora Maria Leal da Costa à esquerda.

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Exposição de Artes Plásticas a decorrer no Centro de Estudos Camilianos em S Mi


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